Adubo, terra, sol, água e algodão. É tudo o que se precisa pra brotar de pouquinho em pouquinho, após o tempo, na medida certa, hidratando sem tirar os olhos.
Esperando ansiosos três dias até o sinal de vida terrestre surgir acima. Tendo compromisso de cultivar com cuidado para salvar o que se tem. Untando bloquinhos, untando carinho, germinando um ser só.
E, depois de tudo, aterrando as raízes até que estejam firmes e capazes de fotossintetizar responsabilidades cotidianas. Assumindo a maior idade, recebendo raios solares que se enriquecem com calor e calcificam-se de uma ponta a outra.
- Isso seria amadurecer?
Posso eu ficar protegido no algodão? Posso eu continuar sendo um grão?
Ser um pequenino brilhante que cresce imperceptível, quieto, mas que não desiste de um sonho a tempo. Que continua sendo um grão, não por dever, mas por vontade própria.
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É preciso aceitar o pouco por hora, até que sejamos frondosos. É necessário aceitar as expectativas para o abate. É imprescindível acertar no erro incerto. E acima de qualquer nuvem, deixar a água aguar o chão, pro mormaço fugir e o cheirinho de chuva subir.
