Se não tivesse o recurso de data no meu computador, provavelmente não saberia que dia é hoje, ou quantas horas o ponteiro do relógio tem marcado durante esses tempos. Cada dia que passou, cada noite que partiu, cada tempo que eu perdi, foram todos esplêndidos. Sinceramente, não sabia que viver longe das telas, seria tão intenso assim. Viver até parece ser grandioso. Aliás, acho que nesse percurso não deixei de conhecer ninguém, afinal, só abracei gente que queria meu bem, só sorri pra quem honestamente merecia e o mais gracioso de tudo, nada foi planejado.
Parece que tenho uma pré-disposição em não ser sincrônico, em fazer que as coisas se realizem de uma forma desconcertada. Naturalmente, o meu eu, acaba por conquistar mais do que dois minutos de prosa com outro alguém. São coisas que só o afeto nos responde. Ora, já perdi as contas de quantos diálogos eu construí nesse último semestre, quantas pessoas cativaram-me e fizeram-me cativar simultaneamente. Foi tão apaixonante quanto navegar em um veleiro a céu aberto.
A verdade é que nada parece mudar. As coisas não mudam mesmo.Nós somos a única referência móvel, o único ponto que pode se locomover no espaço e transformar uma circunstância habitual em algo maior que o extraordinário. Tornamos um tom mais específico em degradê, cortamos espaços quadrados em duas metades de um coração, fazemos de um palhaço mais que um contorcionista, transformamos as palavras em imaginação e utilizamos dela para construir rios que desaguam em sorrisos, covinhas e essas coisas mais doces que o próprio sabor da mudança.
Entre as minhas descobertas, nessa vida de experienciador. Desvendei o principio de que, viver longe das palavras, da escrita, é o mesmo tentar colocar o seu sonho dentro de uma pote de mel. Não vai ter açúcar, não vai ter gosto, não vai ter nada que seja aproveitável. Se você tira a essência dos seus sonhos, se você não alimenta as experiências que o mundo te traz, você não tem motivo pra escrever, você não faz combustão. É apenas mais uma ferramenta, todos nos somos instrumentos, obviamente, mas precisamos daquele velha dosagem de motivação, de pinga, de conhaque, de cafuné ou seja lá o que te faz feliz nas horas vagas.
E sobre esses últimos meses, anotei pessoas, momentos, responsabilidades, descasos. Ainda mais, decisões, conteúdos, amores em aberto. Coloquei um cheirinho no meu quarto, larguei os maus hábitos, comi mais do que devia, ganhei roupas novas e doei meu companheiro de quarto para alguém mais amável do que eu. O importante, é que tudo foi com carinho, por virtude de algo bom e estritamente por amor.
