quarta-feira, 10 de julho de 2019

Sobre ti








Nan,

Sinto falta do seu cheio, do fecho da barba que existe entre os lábios e o queixo. Dos olhos serenos, dos segredos incessantes e do sorriso inconstante.

Sinto a ausência de estar em seus braços e divido-me entre a distância que nos conecta. Você lá, na terra de Iemanjá, dos mistérios e das liturgias, próximo ao mar e da simplicidade que completa a sua existência. Eu aqui, velejando entre os mundos e vivendo à procura de um porto que a priori não encontra cais.

Lembrar de você é como uma daquelas noites em que colocamos a cabeça sob o travesseiro e lembrarmos o quão bom foram os momentos vividos. Lembrar de você é ter o gosto de saber que quando as instabilidades emocionais surgem, tu és aquele que abraça e ao mesmo tempo, surpreende com uma sagacidade e leveza que eu jamais poderia ter.

Quando eu digo: Custa me responder? E você diz não dá. E quando me falta a paciência e digo-te pra me esquecer. Você responde: Não dá.

Eu queria mesmo te esquecer. Mas você é morfina. Quando a dor vem e o coração aperta, é em seus olhos que busco afago. Depositar os sentimentos em ti é como se envenenar com doses de amor que não sei ao certo discriminar.

Às vezes me perco no teus encantos, mas me sinto preparado o suficiente para saber que o amor transcende. Não sei explicar em qual saleira deposito o nosso amor. Se é a da cumplicidade, perigo, amizade, carinho, aventura, paixão ou tentação.

Nosso primeiro diálogo foi um encontro. Dois mundos distintos em um só coração. Nosso primeiro beijo foi a prova concreta de que a vida é uma caixinha de surpresa.


Nan, a vida é brisa passageira e você é ventania,  daquelas que destelha os medos e transforma as vidas.  Quando os teus conflitos tornam-se palpáveis por meio das palavras, vem-me à mente a vontade de gritar-lhe que os desafios sempre serão a chave dos nossos sonhos.

Nan, não te esquece que o ser humano é um abismo e você é um balão, que sobrevoa os caminhos e repousa com o aval do coração.


Agora é hora de partir.  Encerro os meus versos e conservo-te em meios gestos que nos eternizam. Espero-te e guardo-te com a mesma doçura do teu timbre. Re-vejo, Re-novo e Res-guardo tudo que for nosso.

Nan, basta-nos apenas o viver.
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