sexta-feira, 21 de junho de 2019

Between us







São tempos de ebulição, o coração salta pela boca.


Eram oito da manhã e os cabelos já estavam seco, iguais às folhas que tocavam o chão quando olhava pela janela. O tempo parecia estar congelado. Era o período que mais ficávamos juntos, escrevendo, tomando cafés e você sempre colocando os meus olhos em tela, meus cabelos e todos as minhas imperfeições que você mesmo nunca quis encarar como uma obra inesgotável, pintando-me e vendo-me cada vez mais despido. Estava nu, sem às calças, sem o seu cheiro, sem as lembranças que me faziam sentir estranho. Apenas um corpo em frente a própria imagem, olhando-se de cima pra baixo, de dentro pra fora. Tu me dizias que sabias cantar, que o seu jeito doce de ser carregava alguns fantasmas e ao mesmo tempo, dividia-se em um coração ambíguo. Que de tanto amar e redescobrir-se, acabou sendo morada e precipício das minhas emoções. O seu olhar cerrado, o toque e a voz, fizeram-me acreditar em todos os seus pensamentos, mas sem esquecer que os meus estão conectados lá dentro, na alma.


Você é vaidade. Daquelas que carregas só para dizermos que somos capaz de deter.


Você é um sonho. Como às conchas que chegam à praia para ser admirada pelas estrelas.


Você é arte. Por me perder entre o rabiscos que estão no seu corpo e na pele.


Você é leve. Por acreditar em si e por ser livre. A liberdade tem dessa sensação de terra de ninguém e caminhos de todos.


Você é humano. Com armadilhas e paixões que seduzem qualquer boca.


Você é amor. Daqueles que só se esgotam, quando deixam de ser nosso.



Tu deixastes uma carta, uma história e partiu. Foi-se embora para seguir seu destino. Foi rever o seu felino, foi dar carinho e seguir seu caminho. Perder-se novamente no moinho da rotina, no turbilhão da cidade, dos velhos hábitos e dos vícios do cotidiano.



É triste te ver partir. Foi como um sonho bom. Mas, deixar-te ir é a certeza que o próximo abraço será um daqueles instantes que não morre numa fração de tempo.



Só me resta lembrar dos seus olhos mel, até que eu possa revê-los novamente e envenenar-me com a beleza do seus gestos.



Um até logo, não é um Adeus, pois mesmo que o tempo congele, você será abrigo.




segunda-feira, 3 de junho de 2019

Is it enough to love?



Quando não me restar tempo pra suspirar, transpiro e expiro, vivo e re-sinto, na esperança de experimentar o turbilhão de sensações que são meu recinto. 

Há algum tempo não verso sobre os meus sentimentos, nem colocava em voga os meus ideais. Nesses anos a rodo, muita coisa aconteceu, sem licença poética e gramaticalidade, só aconteceram.

Surtos. Graduação. Amores. Arrependimentos. Vivências. Histórias. Diários. Rotinas. Remédios. Saúde. Responsabilidade. Superações.

Dois mil e dezesseis foi um ano de provação, adoeci, padeci e tive que aprender a reconhecer-me novamente. Aprender a falar, a ler, a pensar e consequentemente, usar minha cognição novamente. Tudo estava desajustado, como um aparelho desconfigurado sem botão de rebot. Dois anos se passaram e cá estou, rescrevendo o meu destino mais uma vez. Fechando ciclos e sabendo que o tempo, sempre foi e sempre será rei nas esferas das circunstâncias. Dois anos se foram, deixei pedaços de mim. Arranquei alguns medos, aprendi a fortalecer-me e reconstruir o coração, cercando-o de fortalezas intransponíveis, muralhas que somente meu âmago pôde ultrapassar. Lecionei: Inglês, redação, português e antes de tudo, abordei sobre a vida e o quão conexa ela é com a nossa realidade. 

Finalmente, dei um adeus as disciplinas que me faltavam na graduação, despedi-me de um mestre com espírito de coruja e comecei a escrever sobre mim, sobre ser LGBTQI+, sobre resistir e coexistir nesse mundo em que a ignorância margeia a mente daqueles que não conhecem o significado de viver, de ter humanidade e empatia para com o próximo.

Admito-lhes que meu eu poético, encontra-se no mesmo lugar em que os meus sonhos habitam, reservado, esperando o momento certo para cortejar o prazer que é sentir. Falar-te-ei que não é fácil adormecer um sentimento, torná-lo invisível em alguns momentos não foi uma opção, simplesmente aconteceu. Mas, parte de mim precisava desse tempo de reajuste, colocar a cabeça no lugar e começar a desenvolver o que essencialmente é parte de mim.

Não sei se estou mais ansioso pela formatura, com a viagem pra São Paulo ou com anseio de conhecer o Sul. Só sei que preciso voar, todos temos o momento certo de dar vasão e assas às aventuras do coração. Falando em coração, o meu encontra-se em um estado neutro, sem muita intensidade mas que ao mesmo tempo, não cansa de ser volátil. Finjo demência, disfarço e tento seguir o fluxo, pois nessa cidade não encontrei alguém que soubesse ver em mim, o que de fato existe de dentro pra fora.

Afastei-me das ondas que corroem as rochas que são morada do meus devaneios e olha que são muitos fiordes nesse peito. Precisei revogar muitas coisas e até hoje, isso é uma questão que preciso trabalhar arduamente. Nunca fui bom em desapegar daquilo gosto, mas sempre fui adaptável, carinhoso, amoroso e todos os adjetivos que me fazem acreditar que amar é a válvula de escape que melhor nos norteia em meio às tempestades que avassalam os nossos dias.

Eu escolhi amar não por ser uma criatura sentimental, mas por sentir-me parte da sintonia que permeia os meus pensamentos. Há dentro de mim uma vontade de gritar constantemente ao mundo que sou parte, que sinto, choro (mesmo não fazendo muito), tenho uma porção de sorrisos e muita vontade de aproveitar cada um o máximo que puder. A vida é um sopro. O tempo voa e as relações são efêmeras, porém únicas.

Às vezes, penso que deveria valorizar mais minha família, meu recanto, às pessoas que realmente querem me ver brilhar independentemente de onde esteja. Sei que meu lar não é aqui, mas minhas raízes sempre serão parte da terra. Fincada e por essência, pertencentes à floresta, um ser da fauna, uma criatura que não tem uma essência rasa e que sabe que o seu lugar é onde o seu coração estiver.

Ainda há muita coisa a ser resenhada, muitos pensamentos híbridos. Muitas incertezas. Uma infinidade de aprendizagens que esse virginiano com um lua em câncer e ascendente em peixes, precisa absorver do mundo. Sei que me fechar para o mundo não é a resposta que me fará destruir os problemas, os medos e as imperfeições que tangem o existir, mas quanto mais potencializar os meus lados positivos e souber olhar a vida por um prisma que some, as dores serão minimizadas.

Que os ventos me tragam sempre pessoas, perspectivas e mudanças, e como diria Mariana; Ao Deus que for das práticas do amor. Que assim como eu, você também seja capaz de entregar-se sem medo de ser quem és e tenha fé naquilo/naquele que guia o seu destino.