São tempos de ebulição, o coração salta pela boca.
Eram oito da manhã e os cabelos já estavam seco, iguais às folhas que tocavam o chão quando olhava pela janela. O tempo parecia estar congelado. Era o período que mais ficávamos juntos, escrevendo, tomando cafés e você sempre colocando os meus olhos em tela, meus cabelos e todos as minhas imperfeições que você mesmo nunca quis encarar como uma obra inesgotável, pintando-me e vendo-me cada vez mais despido. Estava nu, sem às calças, sem o seu cheiro, sem as lembranças que me faziam sentir estranho. Apenas um corpo em frente a própria imagem, olhando-se de cima pra baixo, de dentro pra fora. Tu me dizias que sabias cantar, que o seu jeito doce de ser carregava alguns fantasmas e ao mesmo tempo, dividia-se em um coração ambíguo. Que de tanto amar e redescobrir-se, acabou sendo morada e precipício das minhas emoções. O seu olhar cerrado, o toque e a voz, fizeram-me acreditar em todos os seus pensamentos, mas sem esquecer que os meus estão conectados lá dentro, na alma.
Você é vaidade. Daquelas que carregas só para dizermos que somos capaz de deter.
Você é um sonho. Como às conchas que chegam à praia para ser admirada pelas estrelas.
Você é arte. Por me perder entre o rabiscos que estão no seu corpo e na pele.
Você é leve. Por acreditar em si e por ser livre. A liberdade tem dessa sensação de terra de ninguém e caminhos de todos.
Você é humano. Com armadilhas e paixões que seduzem qualquer boca.
Você é amor. Daqueles que só se esgotam, quando deixam de ser nosso.
Tu deixastes uma carta, uma história e partiu. Foi-se embora para seguir seu destino. Foi rever o seu felino, foi dar carinho e seguir seu caminho. Perder-se novamente no moinho da rotina, no turbilhão da cidade, dos velhos hábitos e dos vícios do cotidiano.
É triste te ver partir. Foi como um sonho bom. Mas, deixar-te ir é a certeza que o próximo abraço será um daqueles instantes que não morre numa fração de tempo.
Só me resta lembrar dos seus olhos mel, até que eu possa revê-los novamente e envenenar-me com a beleza do seus gestos.
Um até logo, não é um Adeus, pois mesmo que o tempo congele, você será abrigo.

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