sábado, 17 de agosto de 2019

Cabô, UFRR.



Por onde começar? Esse sempre é um dos questionamentos que me vem à mente quando inicio um texto ou um desafio. Mas aos poucos, as palavras vão tomando forma e o corpo do texto, junto do meu âmago, vão atravessando as rodovias da alma.
Ao longo desses anos, vi muitos dos que amo, partir. Cada um seguindo seu caminho e trilhando os seus desejos pessoais. Não os condeno por isso, também sou adepto dessa modalidade do existir. Creio, no ápice das minhas vivências, que os sonhos devem ser vividos e os saltos ao ar livre, devem ser dados, sem hesitar.
Antes de tudo, sorri, sofri, despi-me de amarras, estigmas e preconceitos, sonhei, estudei, transgredi e evoluí. A vida trouxe-me pessoas que sempre foram e sempre serão amuletos. Daqueles que não tiramos do pescoço e debaixo do travesseiro. Amigos que levo no peito com orgulho de dizer que sempre serão parte de mim. Das histórias, da sintonia, do companheirismo e das vivências as quais escolho dividir e eternizar.
A graduação trouxe-me a visão de mundo que transforma, de saber que ser educador é muito mais do que um quadro branco, um pincel e uma boa oratória. É dividir histórias e momentos. Que o discurso toca e que as palavras transformam. Que o poder da leitura é o que nos dá uma olhar multifacetado da realidade e que o destino, seja no meio acadêmico ou na seara da vida, depende de nossas escolhas e o que podemos compartilhar e oferecer para com o mundo.
Pois bem, chegamos nele. O mundo. Vasto, gigante, diverso e infinitamente cultural. Ser um ser das humanidades, de apreciar a singularidade que existe em cada pedaço dele, traz-me a vontade de querer desbravá-lo e conhecer cada vez mais sobre as histórias, as pessoas, os acontecimentos, os amores, as batalhas e todo esse material histórico-cultural que serve de inspiração para minhas acepções narrativas.
Então, escrever foi uma das coisas que aprendi nessa fase da vida. Na realidade, meu melhor refúgio. Um lugar que me sinto seguro e confortável, na hora de dizer e como dizer. Tomando um café, ouvindo um som de meu agrado e contornado as palavras ao meu compasso. O universo das Letras presenteou-me acerca dos dizeres e é uma paixão que não cessa. O português e às línguas estrangeiras, frisando a língua inglesa e o italiano, são as línguas que mais me identifico. Nas quais me afogo incessantemente, seja em meio às músicas, entre os filmes, romances, séries, histórias e todo esse compêndio que nos fazem apaixonar por outro universo que por mais distante que o seja, é tão universal quanto o ser humano e seu processo de existência mundana.
Depois desses anos, aprendi a ser resiliente, paciente e honesto comigo mesmo. Nunca tive vergonha do meu tom de pele, sexualidade, das minhas fraquezas e de minha realidade social. De minha origem familiar e de todos esses signos sociais que as pessoas tentam mascarar. Minha naturalidade em assumir quem sou e a grandeza de desbravar as minhas verdades pessoais, construíram o meu ethos com certa predisposição natural de evitar pessoas e pensamentos empáticos, pois privo dentro de mim o outro e o quão significativo são as relações interpessoais. E aos Narcisos que acham feio o que não é espelho. Desejo-lhes, perspicácia e esclarecimento, para entender que o espelho de nada importa se não refletir a verdade que emerge de dentro.
Por fim, agradeço às meninas que concluíram essa etapa comigo. Em especial, Rafaela Portela e Luana, amigas queridas de profissão. Aos amigos que compareceram no dia do colação e os que estavam presentes em espírito. Oficialmente, sou docente por formação e ensinar sempre será um de meus ofícios, bem como aprender, pois ambos são uma via de mão dupla. Mas a vida é um sopro e as possibilidades são infindáveis. O que o destino me reserva é incerto, os jogos só estão começando e nessa sinfonia o maestro das escolhas, sou eu.  Nunca fui um indivíduo convencional e não vai ser agora que me rendarei aos caminhos casuais. O envolvente, o desconhecido e plural, são os adjetivos que transitam dentro de mim. Que as novas portas sempre se abram, que os caminhos sejam brandos, que muitos sorrisos façam parte do meu dia-a-dia e  que o amor,  sempre regue os meu laços.

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