domingo, 13 de abril de 2014

Sobre ser único.






Há dias venho pensando sobre essa história de que a singularidade é irmã da solidão. Em alguns aspectos tenho que concordar, em outros, chego a problematizar. Faço aquelas confusões mentais que vão de marte até saturno e quando menos espero, acabo perdido em Netuno. Não sei se é falta de café ou endorfina, apenas sei que pensar demais me revitaliza.
Observando, analisando, catalogando, desde o nariz do cara da mesa ao lado até a metade do último cigarro. Percebo que não são os goles de cerveja nem o conhaque vencido, são as pessoas. Ultimamente, ando meio preso dentro de um círculo, protegido das amarras daqueles que não fazem parte de mim e diante disso, vejo um mundo que não compactua comigo. As vezes chego a pensar se sou o estranho ou se o lugar é que não venha pertencer a mim.
Esse sentimento de alternância, de construção e reconstrução torna-me cada vez mais crítico acerca dos limites que devo tomar antes de cumprimentar alguém. Ser gentil, doce, amigável e demasiadamente honesto, cansa.  Mas não é aquele cansaço físico que te faz perder o fôlego a cada passo dado, é aquela sensação de falta de compatibilidade, conexão e energia que dá preguiça até de construir um diálogo.
Talvez o que eu queira é só sentir aquele gostinho de sinestesia que falta nas pessoas. Derrubar os muros da realidade, provocar significado. Por que viver num mundo onde a realidade não é violada, é tão denso quanto as masmorras de um exílio.

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