Emblemático, é sentir. Esses tempos tenho disposto-me a fazer esse exercício intensivamente, desbravando o desiquilíbrio que há entre os extremos que fazem parte de mim. Sinto que às vezes viver tem aquele aspecto de revista mal folheada, que você debruça os olhos sob às páginas sem se importar muito com o que está escrito, fita às figuras com cautela e continua lendo com apatia os discursos redundantes. Por aqui, os dias assemelham-se à questões assim, lacunas inconsistentes, espaços em branco que precisam ser preenchidos e antes que o tempo bata à porta, às escolhas precisam dar vida aos planos. Chegar na casa dos vinte tem suas bigornas embutidas, mais decisões precisam ser tomadas e os coringas estão esgotando-se no decorrer do jogo. Tu precisas ser alguém, tu tens que ter emprego, tu és capaz de morar sozinho, tu não podes beber, tu não podes fumar, tu tens que ser funcionário público, tu tens que seguir os caminhos que são habituas, pois se fugires da redoma, acabarás fadado a ser ninguém. É tanta imposição que o coração por si só não consegue respirar e a alma, agora se esconde atrás de um escudo intransponível até que seja suficientemente seguro para sentir-se livre. Se hoje é preterível à instabilidade de ser, amanhã noutro hemisfério, faço questão de seguir apenas às verdades do coração, pois o futuro é apenas uma projeção de linhas tortas.

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