terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Saca.


"O amor não acabou
Ele sempre se renova
Ele simplesmente acontece"
ARAUJO, Fernando.

















Se me disseres que o amor é uma questão.
Eu diria Alquimia.
E definitivamente, vocês hão de convir, 
Uma fantasia.
Um encanto que repele a heresia.

Se me disseres que o amor é perspectiva.
Eu te diria, bom dia.
E definitivamente, vocês hão de convir,
Uma enseada.
Onde as ondas  que se quebram,
não esperam por despedidas.

Se me disseres que o amor modifica.
Eu escolheria a ti.
E definitivamente, vocês hão de convir,
Que por mais démodé que pareça
Ainda  me restam, boas e velhas rimas.




sábado, 28 de setembro de 2013

First day at university.




Parece até aquelas loucuras cinematográficas, onde o assunto é sobre bananas mecânicas e laranjas voadoras. Besteiras ditas atoa, sem juízo de valor, mas amigo meu certa vez, disse-me que tudo aquilo que engolimos garganta abaixo, não possui sabor. Sabe, até que parece uma boa justificativa pra quem tem todos os parafusos no lugar. Afinal, até os beijos precisam ser degustados com alguma emoção e isso, eu não largo de mão.


Parecia um dia como qualquer outro, mas lá estávamos.  Sentados em barcos de papéis, numa mesa fundo de garrafa, com três litros de cerveja e mais um bocado de estrelas nos espiando. Nós eramos quatro no total, eu estava olhando os seus olhos, o gingado dos seus óculos arredondados e os outros dois, estavam ingerindo doses de relances junto a nós, conversando sobre mais um dia, pessoas da vida, discorrendo sobre o invisível e brincando de jogar com as palavras num buceto de esquina. 


Fazia tempo que meu copo não se encontrava tão cheio, preenchido com a suavidade de algo que já havia saboreado antigamente, um momento de descontração que nem a imaginação conseguiria desenhar dentro de um pedaço de papel. Eu estava entre 


amigos

e

provavelmente

bebendo 


melhor

bebida

do mundo. 


Porque amizade tem dessas coisas, de fazer com que o peso dos pés se tornem naturalmente menores. E acerca dos sorrisos, eu não preciso nem dizer. 


domingo, 1 de setembro de 2013

Eu já provei todos.



O tipo daquele que te faz ir até a lua e pisar em falso. Aquele com gosto de amora e desejo de fogo. Aquele que tira meio tempo do seu horário de almoço. Eu já marquei duas horas antes, pra ter tudo que tinha direito. Eu já fiz charme pra provar de novo. Eu nunca engordei saboreando, mas juro que, comeria quantas vezes possíveis fosse. Olhei o oceano também, algumas vezes isso se assemelha com esse tipo, só que de uma maneira mais carinhosa. Já fiz sem tesão, sem vontade, sem segundas intenções, aliás, não sei nem porque encostei tão perto, dizem que é pecado.
Tem gente que prefere com intensidade, brutalidade. Outros preferem com delicadeza, suavidade e gentileza. Tem gente que faz de cabeça pra baixo, em baixo do estrado, em cima do estofado.  Tem gente que esquece o significado, deita, debruça e depois vai embora. Tem gente que treina na maçã, pera, laranja e até mesmo abacaxi. Tem pra todos os gostos, de todas as idades e com vários formatos. Existem várias distinções, vários jeitos de contar e de sentir isso da mesma maneira. Minha vó diz que é como andar de bicicleta, pedala uma vez e depois que pega gosto, você não quer mais parar de sentir a brisa no rosto. É quase a mesma sensação. De não querer parar ou se sentir tirando os pés do chão.
É como um dom, só alguns sabem usá-lo de uma forma exemplar, fazem a mudança, que conquistam de primeira. Na mesma sintonia, tem daqueles que com tanta experiência, sabem domar todos os vinte e nove músculos antes dos trinta e cinco segundos de frio na barriga. Tem disso um pouco mesmo, digo por experiência própria. E, logicamente, tem aqueles que não sabem nem onde encostar a mão ou pra qual lado do pescoço virar. Se vão pra esquerda, direita, meia-lua ou direto ao ponto. São tantas perguntas que passam na cabeça, que suar frio é o de menos.
Sinceramente, não me enquadro em nada, não estou em nenhuma das opções. Porque quando se trata em beijar, desde o fascínio do primeiro encostar de lábios, até a última mordida, parece ser único. A verdade é que não existe essa de bom ou fora dos padrões. Afinal, a magia está naquilo que mais te contagia, no que combina, no que torna a confusão e adrenalina, em apreciação.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

3 meses





Se não tivesse o recurso de data no meu computador, provavelmente não saberia que dia é hoje, ou quantas horas o ponteiro do relógio tem marcado durante esses tempos. Cada dia que passou, cada noite que partiu, cada tempo que eu perdi, foram todos esplêndidos. Sinceramente, não sabia que viver longe das telas, seria tão intenso assim. Viver até parece ser grandioso. Aliás, acho que nesse percurso não deixei de conhecer ninguém, afinal, só abracei gente que queria meu bem, só sorri pra quem honestamente merecia e o mais gracioso de tudo, nada foi planejado.
Parece que tenho uma pré-disposição em não ser sincrônico, em fazer que as coisas se realizem de uma forma desconcertada.  Naturalmente, o meu eu, acaba  por conquistar mais do que dois minutos de prosa com outro alguém. São coisas que só o afeto nos responde. Ora, já perdi as contas de quantos diálogos eu construí nesse último semestre, quantas pessoas cativaram-me e fizeram-me cativar simultaneamente. Foi tão apaixonante quanto navegar em um veleiro a céu aberto.
A verdade é que nada parece mudar. As coisas não mudam mesmo.Nós somos a única referência móvel, o único ponto que pode se locomover no espaço e transformar uma circunstância habitual em algo maior que o extraordinário. Tornamos um tom mais específico em degradê, cortamos espaços quadrados em  duas metades de um coração, fazemos de um palhaço mais que um contorcionista, transformamos as palavras em imaginação e utilizamos dela para construir rios que desaguam em sorrisos, covinhas e essas coisas mais doces que o próprio sabor da mudança.
Entre as minhas descobertas, nessa vida de experienciador. Desvendei o principio de que, viver longe das palavras, da escrita, é o mesmo tentar colocar o seu sonho dentro de uma pote de mel. Não vai ter açúcar, não vai ter gosto, não vai ter nada que seja aproveitável. Se você tira a essência dos seus sonhos, se você não alimenta as experiências que o mundo te traz, você não tem motivo pra escrever, você não faz combustão. É apenas mais uma ferramenta, todos nos somos instrumentos, obviamente, mas precisamos daquele velha dosagem de motivação, de pinga, de conhaque, de cafuné ou seja lá o que te faz feliz nas horas vagas.
E sobre esses últimos meses, anotei pessoas, momentos, responsabilidades,  descasos. Ainda mais, decisões, conteúdos, amores em aberto. Coloquei um cheirinho no meu quarto, larguei os maus hábitos, comi mais do que devia, ganhei roupas novas e doei meu companheiro de quarto para alguém mais amável do que eu. O importante, é que tudo foi com carinho, por virtude de algo bom e estritamente por amor.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sobre compartilhar.









Eu posso te ensinar a fabricar artilharias de guerra na esperança de mante-lo em segurança.  Posso te guiar em inúmeras circunstâncias, dizer que tu serás um escudo quando precisar,  lhe querer em modo de defesa, apenas para salvá-lo no campo de batalha. Também quando necessário, ensinar a montar muralhas em seu envolto, ensinar a tragar poesias por passa-tempo e a engolir pedaços de nuvens durante o dia, só pra que tu não esqueças o quão importante é sonhar infinitamente.
Eu posso falar sobre livros que li, bebidas que degustei, gostos que já provei, toques simultâneos e a como flertar o meu corpo. Te presentear, fazer brownlie do sabor que você mais gosta. Eu posso omitir, lhe tapar os olhos ou seja lá o que você não queira ver, te proteger. Ler uma tirinha que você odeia, só pra não ser boêmio vinte e quatro horas por dia. Caminhar em algum lugar deserto na sua companhia, me despir de dentro pra fora. Posso te atrair para uma porção das minhas armadilhas. Detalhar o futebol da semana passada, acordar durante a madrugada, trazer café na cama, fazer cafuné e te seduzir com tudo que sou. 


Mas tudo isso se trata de dar sem receber, pois quem não cobra nada, não espera por recompensas.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Let me drink you down tonight






Se fosse pra aguardar telefonemas, sábio eu seria por não te esperar. Hoje,  amanhã e depois de amanhã, te liguei. Umas trocentas e tantas vezes,  eu diria.  Murmurei, reclamei pra amigos, disse o quanto odiava esperar, mas todos sabem que eu tenho paciência quando se trata de amores instantâneos.




O telefone tocou.




"Não identificado", "restrito", "desconhecido". Custa rubricar de baixo o seu cartão postal e colocar com letra de forma a inicial do sobrenome?  Não tenho graduação em adivinho ou faz de conta. Até pensei em ser uma bina telefônica certa vez.




 Conversávamos.




Eu te dizia sobre academia, detalhava minha cidade, rotinas. Você falava em outra língua, me ensinava sobre preguiça, sobre libras, vinhos, viagens e coisas cognitivas. Eu continuava deitado pensando na imensidão de cada detalhe e falava o quanto a minha cidade era pequena, miúda ou o quanto minha vida parecia pouco desnuda comparada com a sua.
Continuávamos a trocar olhares, você persistia em fazer sinais, eu ficava à adivinhar.  Eram dois gatos, uma toca, cavanhaque, frio, um amigo. Já perdi de vista quantos penetras estavam envolvidos na nossa chamada.




Você sorrira, eu nem prestava atenção, fingia. Nem perguntara sua idade. Estava empolgado falando sobre praças, orla, pontes, comida, comida e mais comida. Você vasculhava informações no tal de Google. Dizia que queria beber guaraná, açaí, buriti, tambaqui e eu sou pensava em te ter aqui. Mentira, só quero os meus dois litros de vinho e os outros 60 quilos de presentes que tu há de trazer pra mim. Puro interesse. Afinal, Quem precisa de amor?





Te liguei novamente.




Você dizia: "saudade". Eu dizia: "mentira". Você me cobrava um interprete, eu te dizia que não sabia falar a tua língua, não sabia coisas sobre aquisição nem utopia.Descrevia os meus traços, dizia que era índio, cafuçu, branco, pardo, preto, Brasileiro. Uma mistura. Uma putaria de miscigenação. Você sorria de novo. E eu tentava roubar em cada canto do losango, mais um sorriso.É, faltam poucos dias. Você vai conhecer o calor tropical, amazônia, ventania, furacões de informações. Não desliga ainda, não cochila, apenas minimiza. Sei que já se passaram mais de duas horas e trinta minutos de conversação. Abre o olho, toma mais uma xícara de café, eu deixo. Espanta o sono, sei que tu estás tentando cortar a cafeína, mas aguenta mais um pouquinho, são só cinco dias.




Desliguei.




Retornei ao vício computacional. Cinquenta e oito segundos depois havia um coração a minha espera. Respondi:




Seja bem vindo, diga bom dia e conheça por três dias às culturas por de trás dos meus contornos. Beije, abrace, sinta e faça do meu pequeno espaço o teu. Esqueça, os "Daí'', "Né" e outros tantos vícios de linguagem. Acho que são só esses os lembretes. Ah, mais uma coisa, havia dito que iria dormir, mas é tarde demais pra pedir desculpa. Então, preferi te escrever.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Wolf





Por de trás das esferas dos meus olhos negros, é que se esconde a ferocidade do medo que você sente ao fitar-me.  É difícil tonar a soltar o ar, pois a insegurança de imaginar que minhas garras são capazes de arrancar desde o último suspiro até a penúltima gota do seu sangue, te desmorona em grande escala. 

Prossigo sutilmente, pegada após pagada, imerso em uma densa cortina de fumaça acinzentada, cercando pouco a pouco cada milímetro de adrenalina que o teu corpo emite, mesmo que eu nunca a tenha farejado antes. O seu tormento é tão perceptível que quando desvias o olhar ao chão, consigo observar a imagem do desespero refletir sob o gelo.  

A minha pelugem é quem guia a tua visão petrificada, minha melhor defesa, diga-se de passagem. O ponto chave que mascara toda a falsa doçura. Por dentro um instinto assassino, uma sede por sangue. Por fora, um predador insaciável que não demonstra brilho ao iniciar qualquer perseguição que seja.

Agora eu chegara perto, perto demais pra entender que você não passa de uma presa que precisa ser executada sem piedade. Entendo finalmente que meu único desejo é esquartejar-te e devorar-te carne a dentro.



sábado, 4 de maio de 2013

Cargas




Odeio lidar com equilíbrio, estar divido entre duas metades e ter que delimitá-las, não é do meu feitio, nem do meu agrado. Não sou uma balança impotente, que determina resultados ou que suporta cargas de indecisões ou fracassos pessoais. Só tenho duas décadas de vida e estou tentando não me prender aos mesmos erros que um dia você cometera.

A verdade é que não sei condensar minhas expectativas.
Problemas em aberto?  Muito menos.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Anormalidade.




"Ser blasé é o mesmo que aceitar flores"




Me impressiona ver que você não tenha entendido errado o meu romantismo. Eu sei, as vezes minha maneira de ser cortes vem  assim, como um sussurro no pé do cangote ou escrito em papeis a prova d'água.  De qualquer forma, juro que tive sorte em não te dar flores. Você iria odiar tanta etiqueta, certamente.

Provavelmente ramalhetes não sejam tão atraentes quanto pensei, são poucas pessoas como você que sabem valorizar versos ao invés de gestos. Ou tampouco, conseguem brincar com eles, puxar de um lado pro outro, ir de cima pra baixo, sem medo de deslizar a mão. Por isso prefiro te presentear com letras de forma, parece mais seguro e duradouro, parece tão nosso.

Sempre acreditei que a teoria do cavalheirismo nunca ia dar certo comigo. Afinal, que sentido faz doar algo que seca com o tempo, não consigo entender onde nós entraríamos nisso. Essa regra desvairada que valoriza a beleza momentânea, por trás do vintage, não acolhe grande coisa.

Sabe..somos tanto pra nos deixarmos conformar com pétalas, nossos atos são singelos a ponto de não nos permitimos ser fruto de qualquer corrupção, qualquer partilha de algo que nos parta as raízes. E  Agora, eu entendo, a maior joia que posso oferecer a ti, é algo que seja estável, firme e sólido, onde as nossas lembranças possam estar armazenadas.


Seja resgatando dias; seja revivendo doçuras;

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vagareza.





"Respirar, inspirar, excretar, destilar, 
porque não há ar que nos permita abandonar os desvios dessa vida."


Acordar, é o mesmo que aceitar que os dias cabem habitualmente dentro de cada remoto pessoal. Uma calmaria que, até entrelaçar os cadarços chega ser assim, como se nós constantemente abandonássemos  o fervilhar, uma preguiça só.

Mas são muitos engarrafamentos, tantos compromissos. As vezes sentir o meio dia tornar-se meia-noite num estalar, nem de longe é anormal e é de dar dó, quando pensamos naqueles que não conseguem andar nessa monotonia metropolitana. Aqueles seres apáticos, estáticos ou melhor dizendo, esvaziados mentais.

Essa é a graça na raiz do ser. Uma pilha de baterias não descarregáveis, sem plug de partida ou chegada, sem tempo pra sinal vermelho ou amarelo, o verde é ligado num constante. 

Calem-se vocês todos que pensam o contrário, seres desacreditados no seu intervalo, do seu jeito, da sua maneira. Mesmo que seja vagaroso, é ao seu modo de enfrentar esse velocímetro desajustado que se desconstrói o trivial.

É dessa tortura que eu falava... Essa é a graça,  de fazer parte e estar imerso nessa espiral, desacreditando que tu sejas um peso ou contra-tempo, é tudo tão banal, que não há tempo de pensar em tropeços.

Pedalai-vos.