segunda-feira, 19 de agosto de 2019

guys


💙


Há tempos, pego-me pensando às razões que me fazem sentir a problemática de não saber lidar muito bem com o universo masculino. A realidade é que o homem, é um ser que me intriga. Tenho certa dificuldade em envolver-me afetivamente, entrelaçar as mãos e abraçar forte.  Na verdade,  não sinto que seja dificuldade em dar carinho, mas os parâmetros afetivos e às construções sociais, exigem-nos cautela ao amar o outro, sem preceitos e pressupostos, só sentir e dar amor. Grosso modo, sem foder a cabeça. Mas dentro do meu peito, existe uma barreira grande entre o desejo e o afeto.

Difícil essa história de gerar afeto e sentimento, sem se envolver. Faço amigos, antes de qualquer responsabilidade emocional. No entanto, os corpos, o olhar, o jeito e a fluidez atravessam a espinha e chegam à carne como se cada toque e momento fossem só um e estivéssemos constantemente, a flor da pele. O desejo é algo que vem de fábrica com os homens e aflora-se na medida em que os anos vão se passando e a descoberta do corpo, vai acontecendo. A sexualidade pra mim, fora no início da minha juventude, algo que não sabia o que era, apenas seguia o fluxo e deixava às coisas acontecerem. Não me lembro do primeiro beijo, não me lembro da primeira transa. Não foram momentos significativos, apenas desdobramentos de experiências sexuais e emotivas que entraram no esquecimento. 

Mas, não vim aqui para dizê-los sobre minha vida pessoal. Cá estou para narrar a minha visão pessoal sobre os homens.

Tenho uma facilidade em conviver com os indivíduos. Porém, por ser um ser aflorado e sensível, os homens acabam vendo em mim a feminilidade que existe dentro da alma das mulheres. Mas mulher jamais serei. Talvez de perto, sejamos seres semelhantes de essência, mas nós gays, somos criaturas que transitam em dois universos, somos seres com espírito binário. Não temos problemas em sermos quem somos, de mostrar para o mundo nossas fragilidades, inseguranças e desejos, apenas tomamos rédeas de nossas vontades e sabemos lidar com maestria com as adversidades e as porradas que a vida nos dá desde os primeiros momentos de existência. 

Somos plurais e universais. Eu como homem, vejo-me como alguém puramente sentimental e com uma vontade de abraçar o mundo como se fôssemos simbiose pura. Tenho meu fenótipo masculinizado: cabelos ondulados, barba por fazer, corpo de estatura alta e forte, mãos e braços fartos e hormônios a mil. Atitude, prazer e paixão, fazem parte do meu jogo de sedução. É tudo muito avassalador e sexual.

São muitos conflitos dentro de mim. Somos diversos: Homens cis, homens gays, homens não binários, homens conservadores, homens abertos. Heterossexuais, bissexuais, trans e uma imensidade de reflexos aos quais fazemos parte. Por não ter crescido com uma referência masculina, não aprendi a desencadear minhas energias com os meninos. Sempre foi um processo delicado pra mim, mas hoje em dia, com o passar das experiências e vivências, fui desenvolvendo uma relação de amor e amizade com aqueles que atravessam meu caminho.

Atualmente, segrego aqueles que escolho amar e aqueles que sinto vontade carnal. Opto pela segurança de estar feliz e ter por perto aqueles que me dão amor só pelo olhar, acredito que quando damos amor e conquistamos o outro, os laços ficam mais vívidos e o respeito, perpassa o desejo. Quando admiramos o outro pelos pequenos gestos, pela jeito encantador, através da reciprocidade, a verdade bate à porta e entra no peito, sem pedir licença.

Os homens nunca serão escape pra mim. Eles sempre serão pessoas, seres vivendo seus conflitos internos, com dúvidas, anseios e questionamentos e eu, no auge do meu descompasso e esclarecimento, vou dando voz aos meus jeitos e individualidades. Expressando-me livremente e navegando de peito aberto, vivendo minha liberdade sexual e espiritual. Gozando de todos os momentos, sem pensar nas máscaras sociais, na pressão de mostrar para as pessoas ou fingir algo que não sou. Essa segurança de transbordar verdade, certamente me diferencia dessa cortina nebulosa que aprisiona as pessoas, de temerem de  apaixonar-se por pessoas do gênero oposto ou de uma realidade distintas das suas.

Eu nunca tive medo de amar. Nunca tive medo de mostrar meu afeto para com alguém. Nunca tive anseio de esconder o que sinto por falta de coragem. Já amei errado. Já alimentei sentimento por pessoas que não mereciam meu coração. Já beijei heterossexuais. Já cometi erros. Já magoei pessoas. Já fui ingênuo. Já ignorei. Todos esses parênteses, margeiam minha história de vida e foram essenciais para solidificar o que habita no lado esquerdo do peito.

Hoje, faço alusão aos homens, aos jogos de tabuleiros. Sempre úteis em tê-los na prateleira a hora que sentir vontade de matar o tempo.  Divertidos e engenhosos. Mas se jogado várias vezes, os movimentos passam a ser previsíveis. A rigidez tomou conta das minhas intenções.  As pessoas são lidas facilmente. E eu, sempre que posso, escondo-me por debaixo de um capuz que só eu consigo enxergar. Pois a verdade é que entre minhas habilidades, a sutileza e a sagacidade, como bom virginiano que sou, fazem parte deste cenário torpor.



Como diria Caetano: Narciso acha feio tudo aquilo que não é espelho.









sábado, 17 de agosto de 2019

Cabô, UFRR.



Por onde começar? Esse sempre é um dos questionamentos que me vem à mente quando inicio um texto ou um desafio. Mas aos poucos, as palavras vão tomando forma e o corpo do texto, junto do meu âmago, vão atravessando as rodovias da alma.
Ao longo desses anos, vi muitos dos que amo, partir. Cada um seguindo seu caminho e trilhando os seus desejos pessoais. Não os condeno por isso, também sou adepto dessa modalidade do existir. Creio, no ápice das minhas vivências, que os sonhos devem ser vividos e os saltos ao ar livre, devem ser dados, sem hesitar.
Antes de tudo, sorri, sofri, despi-me de amarras, estigmas e preconceitos, sonhei, estudei, transgredi e evoluí. A vida trouxe-me pessoas que sempre foram e sempre serão amuletos. Daqueles que não tiramos do pescoço e debaixo do travesseiro. Amigos que levo no peito com orgulho de dizer que sempre serão parte de mim. Das histórias, da sintonia, do companheirismo e das vivências as quais escolho dividir e eternizar.
A graduação trouxe-me a visão de mundo que transforma, de saber que ser educador é muito mais do que um quadro branco, um pincel e uma boa oratória. É dividir histórias e momentos. Que o discurso toca e que as palavras transformam. Que o poder da leitura é o que nos dá uma olhar multifacetado da realidade e que o destino, seja no meio acadêmico ou na seara da vida, depende de nossas escolhas e o que podemos compartilhar e oferecer para com o mundo.
Pois bem, chegamos nele. O mundo. Vasto, gigante, diverso e infinitamente cultural. Ser um ser das humanidades, de apreciar a singularidade que existe em cada pedaço dele, traz-me a vontade de querer desbravá-lo e conhecer cada vez mais sobre as histórias, as pessoas, os acontecimentos, os amores, as batalhas e todo esse material histórico-cultural que serve de inspiração para minhas acepções narrativas.
Então, escrever foi uma das coisas que aprendi nessa fase da vida. Na realidade, meu melhor refúgio. Um lugar que me sinto seguro e confortável, na hora de dizer e como dizer. Tomando um café, ouvindo um som de meu agrado e contornado as palavras ao meu compasso. O universo das Letras presenteou-me acerca dos dizeres e é uma paixão que não cessa. O português e às línguas estrangeiras, frisando a língua inglesa e o italiano, são as línguas que mais me identifico. Nas quais me afogo incessantemente, seja em meio às músicas, entre os filmes, romances, séries, histórias e todo esse compêndio que nos fazem apaixonar por outro universo que por mais distante que o seja, é tão universal quanto o ser humano e seu processo de existência mundana.
Depois desses anos, aprendi a ser resiliente, paciente e honesto comigo mesmo. Nunca tive vergonha do meu tom de pele, sexualidade, das minhas fraquezas e de minha realidade social. De minha origem familiar e de todos esses signos sociais que as pessoas tentam mascarar. Minha naturalidade em assumir quem sou e a grandeza de desbravar as minhas verdades pessoais, construíram o meu ethos com certa predisposição natural de evitar pessoas e pensamentos empáticos, pois privo dentro de mim o outro e o quão significativo são as relações interpessoais. E aos Narcisos que acham feio o que não é espelho. Desejo-lhes, perspicácia e esclarecimento, para entender que o espelho de nada importa se não refletir a verdade que emerge de dentro.
Por fim, agradeço às meninas que concluíram essa etapa comigo. Em especial, Rafaela Portela e Luana, amigas queridas de profissão. Aos amigos que compareceram no dia do colação e os que estavam presentes em espírito. Oficialmente, sou docente por formação e ensinar sempre será um de meus ofícios, bem como aprender, pois ambos são uma via de mão dupla. Mas a vida é um sopro e as possibilidades são infindáveis. O que o destino me reserva é incerto, os jogos só estão começando e nessa sinfonia o maestro das escolhas, sou eu.  Nunca fui um indivíduo convencional e não vai ser agora que me rendarei aos caminhos casuais. O envolvente, o desconhecido e plural, são os adjetivos que transitam dentro de mim. Que as novas portas sempre se abram, que os caminhos sejam brandos, que muitos sorrisos façam parte do meu dia-a-dia e  que o amor,  sempre regue os meu laços.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Sobre ti








Nan,

Sinto falta do seu cheio, do fecho da barba que existe entre os lábios e o queixo. Dos olhos serenos, dos segredos incessantes e do sorriso inconstante.

Sinto a ausência de estar em seus braços e divido-me entre a distância que nos conecta. Você lá, na terra de Iemanjá, dos mistérios e das liturgias, próximo ao mar e da simplicidade que completa a sua existência. Eu aqui, velejando entre os mundos e vivendo à procura de um porto que a priori não encontra cais.

Lembrar de você é como uma daquelas noites em que colocamos a cabeça sob o travesseiro e lembrarmos o quão bom foram os momentos vividos. Lembrar de você é ter o gosto de saber que quando as instabilidades emocionais surgem, tu és aquele que abraça e ao mesmo tempo, surpreende com uma sagacidade e leveza que eu jamais poderia ter.

Quando eu digo: Custa me responder? E você diz não dá. E quando me falta a paciência e digo-te pra me esquecer. Você responde: Não dá.

Eu queria mesmo te esquecer. Mas você é morfina. Quando a dor vem e o coração aperta, é em seus olhos que busco afago. Depositar os sentimentos em ti é como se envenenar com doses de amor que não sei ao certo discriminar.

Às vezes me perco no teus encantos, mas me sinto preparado o suficiente para saber que o amor transcende. Não sei explicar em qual saleira deposito o nosso amor. Se é a da cumplicidade, perigo, amizade, carinho, aventura, paixão ou tentação.

Nosso primeiro diálogo foi um encontro. Dois mundos distintos em um só coração. Nosso primeiro beijo foi a prova concreta de que a vida é uma caixinha de surpresa.


Nan, a vida é brisa passageira e você é ventania,  daquelas que destelha os medos e transforma as vidas.  Quando os teus conflitos tornam-se palpáveis por meio das palavras, vem-me à mente a vontade de gritar-lhe que os desafios sempre serão a chave dos nossos sonhos.

Nan, não te esquece que o ser humano é um abismo e você é um balão, que sobrevoa os caminhos e repousa com o aval do coração.


Agora é hora de partir.  Encerro os meus versos e conservo-te em meios gestos que nos eternizam. Espero-te e guardo-te com a mesma doçura do teu timbre. Re-vejo, Re-novo e Res-guardo tudo que for nosso.

Nan, basta-nos apenas o viver.
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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Between us







São tempos de ebulição, o coração salta pela boca.


Eram oito da manhã e os cabelos já estavam seco, iguais às folhas que tocavam o chão quando olhava pela janela. O tempo parecia estar congelado. Era o período que mais ficávamos juntos, escrevendo, tomando cafés e você sempre colocando os meus olhos em tela, meus cabelos e todos as minhas imperfeições que você mesmo nunca quis encarar como uma obra inesgotável, pintando-me e vendo-me cada vez mais despido. Estava nu, sem às calças, sem o seu cheiro, sem as lembranças que me faziam sentir estranho. Apenas um corpo em frente a própria imagem, olhando-se de cima pra baixo, de dentro pra fora. Tu me dizias que sabias cantar, que o seu jeito doce de ser carregava alguns fantasmas e ao mesmo tempo, dividia-se em um coração ambíguo. Que de tanto amar e redescobrir-se, acabou sendo morada e precipício das minhas emoções. O seu olhar cerrado, o toque e a voz, fizeram-me acreditar em todos os seus pensamentos, mas sem esquecer que os meus estão conectados lá dentro, na alma.


Você é vaidade. Daquelas que carregas só para dizermos que somos capaz de deter.


Você é um sonho. Como às conchas que chegam à praia para ser admirada pelas estrelas.


Você é arte. Por me perder entre o rabiscos que estão no seu corpo e na pele.


Você é leve. Por acreditar em si e por ser livre. A liberdade tem dessa sensação de terra de ninguém e caminhos de todos.


Você é humano. Com armadilhas e paixões que seduzem qualquer boca.


Você é amor. Daqueles que só se esgotam, quando deixam de ser nosso.



Tu deixastes uma carta, uma história e partiu. Foi-se embora para seguir seu destino. Foi rever o seu felino, foi dar carinho e seguir seu caminho. Perder-se novamente no moinho da rotina, no turbilhão da cidade, dos velhos hábitos e dos vícios do cotidiano.



É triste te ver partir. Foi como um sonho bom. Mas, deixar-te ir é a certeza que o próximo abraço será um daqueles instantes que não morre numa fração de tempo.



Só me resta lembrar dos seus olhos mel, até que eu possa revê-los novamente e envenenar-me com a beleza do seus gestos.



Um até logo, não é um Adeus, pois mesmo que o tempo congele, você será abrigo.




segunda-feira, 3 de junho de 2019

Is it enough to love?



Quando não me restar tempo pra suspirar, transpiro e expiro, vivo e re-sinto, na esperança de experimentar o turbilhão de sensações que são meu recinto. 

Há algum tempo não verso sobre os meus sentimentos, nem colocava em voga os meus ideais. Nesses anos a rodo, muita coisa aconteceu, sem licença poética e gramaticalidade, só aconteceram.

Surtos. Graduação. Amores. Arrependimentos. Vivências. Histórias. Diários. Rotinas. Remédios. Saúde. Responsabilidade. Superações.

Dois mil e dezesseis foi um ano de provação, adoeci, padeci e tive que aprender a reconhecer-me novamente. Aprender a falar, a ler, a pensar e consequentemente, usar minha cognição novamente. Tudo estava desajustado, como um aparelho desconfigurado sem botão de rebot. Dois anos se passaram e cá estou, rescrevendo o meu destino mais uma vez. Fechando ciclos e sabendo que o tempo, sempre foi e sempre será rei nas esferas das circunstâncias. Dois anos se foram, deixei pedaços de mim. Arranquei alguns medos, aprendi a fortalecer-me e reconstruir o coração, cercando-o de fortalezas intransponíveis, muralhas que somente meu âmago pôde ultrapassar. Lecionei: Inglês, redação, português e antes de tudo, abordei sobre a vida e o quão conexa ela é com a nossa realidade. 

Finalmente, dei um adeus as disciplinas que me faltavam na graduação, despedi-me de um mestre com espírito de coruja e comecei a escrever sobre mim, sobre ser LGBTQI+, sobre resistir e coexistir nesse mundo em que a ignorância margeia a mente daqueles que não conhecem o significado de viver, de ter humanidade e empatia para com o próximo.

Admito-lhes que meu eu poético, encontra-se no mesmo lugar em que os meus sonhos habitam, reservado, esperando o momento certo para cortejar o prazer que é sentir. Falar-te-ei que não é fácil adormecer um sentimento, torná-lo invisível em alguns momentos não foi uma opção, simplesmente aconteceu. Mas, parte de mim precisava desse tempo de reajuste, colocar a cabeça no lugar e começar a desenvolver o que essencialmente é parte de mim.

Não sei se estou mais ansioso pela formatura, com a viagem pra São Paulo ou com anseio de conhecer o Sul. Só sei que preciso voar, todos temos o momento certo de dar vasão e assas às aventuras do coração. Falando em coração, o meu encontra-se em um estado neutro, sem muita intensidade mas que ao mesmo tempo, não cansa de ser volátil. Finjo demência, disfarço e tento seguir o fluxo, pois nessa cidade não encontrei alguém que soubesse ver em mim, o que de fato existe de dentro pra fora.

Afastei-me das ondas que corroem as rochas que são morada do meus devaneios e olha que são muitos fiordes nesse peito. Precisei revogar muitas coisas e até hoje, isso é uma questão que preciso trabalhar arduamente. Nunca fui bom em desapegar daquilo gosto, mas sempre fui adaptável, carinhoso, amoroso e todos os adjetivos que me fazem acreditar que amar é a válvula de escape que melhor nos norteia em meio às tempestades que avassalam os nossos dias.

Eu escolhi amar não por ser uma criatura sentimental, mas por sentir-me parte da sintonia que permeia os meus pensamentos. Há dentro de mim uma vontade de gritar constantemente ao mundo que sou parte, que sinto, choro (mesmo não fazendo muito), tenho uma porção de sorrisos e muita vontade de aproveitar cada um o máximo que puder. A vida é um sopro. O tempo voa e as relações são efêmeras, porém únicas.

Às vezes, penso que deveria valorizar mais minha família, meu recanto, às pessoas que realmente querem me ver brilhar independentemente de onde esteja. Sei que meu lar não é aqui, mas minhas raízes sempre serão parte da terra. Fincada e por essência, pertencentes à floresta, um ser da fauna, uma criatura que não tem uma essência rasa e que sabe que o seu lugar é onde o seu coração estiver.

Ainda há muita coisa a ser resenhada, muitos pensamentos híbridos. Muitas incertezas. Uma infinidade de aprendizagens que esse virginiano com um lua em câncer e ascendente em peixes, precisa absorver do mundo. Sei que me fechar para o mundo não é a resposta que me fará destruir os problemas, os medos e as imperfeições que tangem o existir, mas quanto mais potencializar os meus lados positivos e souber olhar a vida por um prisma que some, as dores serão minimizadas.

Que os ventos me tragam sempre pessoas, perspectivas e mudanças, e como diria Mariana; Ao Deus que for das práticas do amor. Que assim como eu, você também seja capaz de entregar-se sem medo de ser quem és e tenha fé naquilo/naquele que guia o seu destino.




domingo, 30 de agosto de 2015

Lost




Emblemático, é sentir. Esses tempos tenho disposto-me a fazer esse exercício intensivamente, desbravando o desiquilíbrio que há entre os extremos que fazem parte de mim. Sinto que às vezes viver tem aquele aspecto de revista mal folheada, que você debruça os olhos sob às páginas sem se importar muito com o que está escrito, fita às figuras com cautela e continua lendo com apatia os discursos redundantes. Por aqui, os dias assemelham-se à questões assim, lacunas inconsistentes, espaços em branco que precisam ser preenchidos e antes que o tempo bata à porta, às escolhas precisam dar vida aos planos. Chegar na casa dos vinte tem suas bigornas embutidas, mais decisões precisam ser tomadas e os coringas estão esgotando-se no decorrer do jogo. Tu precisas ser alguém, tu tens que ter emprego, tu és capaz de morar sozinho, tu não podes beber, tu não podes fumar, tu tens que ser funcionário público, tu tens que seguir os caminhos que são habituas, pois se fugires da redoma, acabarás fadado a ser ninguém. É tanta imposição que o coração por si só não consegue respirar e a alma, agora se esconde atrás de um escudo intransponível até que seja suficientemente seguro para sentir-se livre. Se hoje é preterível à instabilidade de ser, amanhã noutro hemisfério, faço questão de seguir apenas às verdades do coração, pois o futuro é apenas uma projeção de linhas tortas.

domingo, 13 de abril de 2014

Sobre ser único.






Há dias venho pensando sobre essa história de que a singularidade é irmã da solidão. Em alguns aspectos tenho que concordar, em outros, chego a problematizar. Faço aquelas confusões mentais que vão de marte até saturno e quando menos espero, acabo perdido em Netuno. Não sei se é falta de café ou endorfina, apenas sei que pensar demais me revitaliza.
Observando, analisando, catalogando, desde o nariz do cara da mesa ao lado até a metade do último cigarro. Percebo que não são os goles de cerveja nem o conhaque vencido, são as pessoas. Ultimamente, ando meio preso dentro de um círculo, protegido das amarras daqueles que não fazem parte de mim e diante disso, vejo um mundo que não compactua comigo. As vezes chego a pensar se sou o estranho ou se o lugar é que não venha pertencer a mim.
Esse sentimento de alternância, de construção e reconstrução torna-me cada vez mais crítico acerca dos limites que devo tomar antes de cumprimentar alguém. Ser gentil, doce, amigável e demasiadamente honesto, cansa.  Mas não é aquele cansaço físico que te faz perder o fôlego a cada passo dado, é aquela sensação de falta de compatibilidade, conexão e energia que dá preguiça até de construir um diálogo.
Talvez o que eu queira é só sentir aquele gostinho de sinestesia que falta nas pessoas. Derrubar os muros da realidade, provocar significado. Por que viver num mundo onde a realidade não é violada, é tão denso quanto as masmorras de um exílio.