Anos a dentro, histórias atrás, nós somos o meio. O meio que nasceu do começo, um peso pra vida toda. Assim, sem silenciar nenhum fato que fuja a memória, nós filhos somos apenas consequências de passados inacabados.
Desde pequeno, sinto conforto de um colo idoso, um anjo de asas cansadas, a herança de um sonho bom. Um elo do afeto que caiu no esquecimento, mas que nunca deixou a desejar por medo de amar. Um anjo que aos céu está.
Os dedos foram crescendo, as roupas desabotoando e o menino tempo a tempo foi desabrochando. Ele aprendeu a lidar, construir e sequestrar o engatinhar. Aprendeu a garfo e facas, apoiar sob os pulsos toda força imposta pela a mesa da vida. Aprendeu a dedilhar todas as ladainhas, todas as mágoas e ideologias.
O menino amadureceu. Deixou desencanto tomar conta, aprendeu a administrar as fissuras maternais e descobriu que estaria sozinho mesmo que não o estivesse. Percebeu que longe dos conflitos, próximo ao encosto da solidão, poderia encontrar empoeirado o cuidado de um papel usado, as histórias de cafés passados e sempre acompanhado de velhos amigos, para um bom carteado.

Quando venho até aqui e te leio, sinto como se estivesse sendo abraçada por cada palavra, por cada significância que a linguagem que usas possui.
ResponderExcluirGosto tanto, mas tanto.
''Aconchegue-se''...
e você nem precisaria pedir.
♥