terça-feira, 9 de outubro de 2012

Je suis un petit grain de haricot.




Adubo, terra, sol, água e algodão. É tudo o que se precisa pra brotar de pouquinho em pouquinho, após o tempo, na medida certa, hidratando sem tirar os olhos.
Esperando ansiosos três dias até o sinal de vida terrestre surgir acima. Tendo compromisso de cultivar com cuidado para salvar o que se tem. Untando bloquinhos, untando carinho, germinando um ser só.
E, depois de tudo,  aterrando as raízes até que estejam firmes e capazes de fotossintetizar responsabilidades cotidianas. Assumindo a maior idade, recebendo raios solares que se enriquecem  com calor e calcificam-se de uma ponta a outra.

- Isso seria amadurecer?

Posso eu ficar protegido no algodão? Posso eu continuar sendo um grão?

Ser um pequenino brilhante que cresce imperceptível, quieto, mas que não desiste de um sonho a tempo. Que continua sendo um grão, não por dever, mas por vontade própria.

.
É preciso aceitar o pouco por hora, até que sejamos  frondosos. É necessário aceitar as expectativas para o abate. É imprescindível acertar no erro incerto. E acima de qualquer nuvem, deixar a água aguar o chão, pro mormaço fugir e o cheirinho de chuva subir.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fatos de um passado.





Foi no encontro do gosto que nossos fatos se beijaram. 
Não tinha mãos para tocar, nem línguas que nos desenrolassem.
Restava sentir-me adormecendo sobre ti como antes.


Por muito tempo estava longe de você.
Desencorajando-me de coisas que a mente renegava.
Para não dividir costelas ou coisas parecidas. 
Para que nada pudesse ser matéria ou ter insignificância.
Eu estava fugindo querendo caminho


Falhei. Deixei o corpo declamar uma prova de fogo que eu já conhecia.
Omiti outra falha, por um desejo pífio.
Como se meu sistema nervoso enforcasse-me lentamente sem deixar rastros.
Eram sensações que mesmo repetitivas, não revelavam enigmas do silêncio após todos aqueles toques.

Nós  quebramos os laços, nós sedemos as rédeas, era nosso sétimo erro vicioso.

É ócio ter-te assim.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Quinta de uma sexta-feira.





Eram apenas passos de um dia corriqueiro, seguindo o embalo João Bobo, naquele vem e vai.
Eram apenas mensagens instantâneas, empatando o sono pós almoço.
Eram apenas 10 pra às 8, até o escarcéu começar.


Agora são oito em ponto e laiá eu vou.
A respiração estava ofegante com o frio do céu que tocava a pele  diante do sereno, mas lá estava, pronto pra exercitar o corpo, aquele jovem idoso.
E vendo o suor escorrendo, me ponho a relaxar, admirando a poeira no campo se espalhar, não era de se assustar, que depois de nove tantos anos, laiá estaria jogando.

Peito apertando de um garoto com 19 anos, que se via jogar dentre estranhos como já o fizera antes.

Eram apenas tempos atrás, de pessoas que talvez ele já havia conhecido.
Eram apenas conhecidos, fazendo convite a um gentil desconhecido.
Era um sexta-feira de Voleibol. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Cantada de um último amor.








Então o que eu quero te dizer, é nada mais nada menos que o óbvio pelo o avesso de ser algo por você. De quebrar e vencer todas as formas pra ser teu bem querer. Querendo a ti sem garantias e com defeitos pra nunca mais lhe devolver. Desejando a melhor parte dos seus defeitos e angustias, pra torná-los nosso, para torná-lo meu.

Te digo mais:

Venho aqui te suplicar, que pelo o calor do teus olhos e o senti dos teus braços, quero lhe pedir um agrado de dois tempos, de dois bocados. Pra que possamos construir um sobrado, simples mas de bom agrado.


domingo, 22 de julho de 2012

Ma Mère





"Pergunto-me se o incondicional faz parte do meu criar desde pequeno. Questiono-me se o educar, alimentar e sustentar, seriam capazes de suprir a ausência do gostar".



Anos a dentro, histórias atrás, nós somos o meio. O meio que nasceu do começo, um peso pra vida toda. Assim, sem silenciar nenhum fato que fuja  a memória, nós filhos somos apenas consequências de passados inacabados.

Desde pequeno, sinto conforto de um colo idoso, um anjo de asas cansadas, a herança de um sonho bom. Um elo do afeto que caiu no esquecimento, mas que nunca deixou a desejar por medo de amar. Um anjo que aos céu está.

Os dedos foram crescendo, as roupas desabotoando e o menino tempo a tempo foi desabrochando. Ele aprendeu a lidar, construir e sequestrar o engatinhar. Aprendeu a garfo e facas, apoiar sob os pulsos toda força imposta pela a mesa da vida. Aprendeu a dedilhar todas as ladainhas, todas as mágoas e ideologias.

O menino amadureceu. Deixou desencanto tomar conta, aprendeu a administrar as fissuras maternais e descobriu que estaria sozinho mesmo que não o estivesse. Percebeu que longe dos conflitos, próximo ao encosto da solidão, poderia encontrar empoeirado o cuidado de um papel usado, as histórias de cafés passados e sempre acompanhado de velhos amigos, para um bom carteado.




segunda-feira, 16 de julho de 2012

Acolchoado





Apronto minha cama pela a tua espera, desdobro, redobro e sufoco de tanto arrumar. Espero sentado, pensativo e bem trajado, juntamente a angustia que passa por dentro.

Apresso-me no desespero de olhar, vezes após vezes, o meu portar. Provando meticulosamente o jeito de auto-mutilar o meu espelhar.

Acolá avisto rapidamente pequeno polegar, entusiasmado só pelo andar, que sobre sol e vento a passar, começa a me acompanhar.

Portão a dentro, fechadura lacrada, estamos eu e tu nesta nova morada. 

Desajuizados, abraçados e esquentados com cobertas que exalam a paz. Assim, largado e confortado, nos braços do teu abraço, estou.

Ah, então eu torno a imaginar, o que há de passar frente aos olhos deste alguém que está a me debruçar.

Só posso pensar que meu único direito seja o teu olhar, que  agora meio desacordado torna a nos analisar sem julgamentos, sem hesitar.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Calcanhar.



Na ponta do pé sempre sustentei a minha força, carreguei sobre os ombros e calcanhar no chão, a realidade que me aflorava.

O sangue circulava, junto ao tendão que ligava e fincava carne-corpo. Num vise-versa, num trás e volta, que por mais corroído que estivesse,  permanecia suspenso defronte qualquer dificuldade.

Ossos cravados espírito a dentro, faziam-me viajar têmporas a fora sem saber a direção. 

Vivia sem pé nem mão, numa doce estrada de chão. Vivia a vida de um cidadão, que sem sobrado e nem trocado, guardava o dinheiro do pão.

Lutador de determinação, continuei com as solas dos pés ao chão. E agora de paletó e gravata gomada, deixou a vida de peão, lembrando-a como apenas uma  recordação.

Resultados da pe

domingo, 1 de julho de 2012

Mulata a Beira Mar.



Carol penteia os seu cachos negros mulato, 
junto a garôa que se estende sob o domingo nublado. 
Extenuada de seu sufoco, 
abre as asas e curva-se meia-lua 
debruçando sobre sua canga  pitanga, 
os dilemas de vidas passadas.


Neguinha faceira,  
tira os chinelos e com covinhas a saltar, 
já nos mostra o gingado apimentado ao caminhar. 
Pousada agora aos pés do mar, 
balança  saião, 
refrescando-se com ondas que lhe relembram o verão.


Sentada a beira mar, 
a mulata há de recitar 
uma prosa para Iemanjá, 
pedindo abrigo e um lar 
que faça a mágoa extirpar .


Então menina moça 
prepare-se para lutar, 
estenda a mão pro ar 
e lance sem pensar sua caravela de sonhos ao mar, 
para que suas preces continuem a navegar, 
na fé de seu Orixá.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Bu-lêrê.





Como gota e café, eu te dou a minha mão. E querendo tão pouco, encontro a desilusão, encontro em ti a distância na contra-mão. Mas tenho fé, que tudo isso não seja em vão.
Dizem-me o quão complicado estou, ou sou. Mas posto em regras e deitado sobre o seu colchão, versos simples me dizem que tudo não passa de pura invenção.
Sutil rapaz, com o coração na mão, estamos na mesma direção, passeando mundo a fora, com um xadrez camurça e o céu esfumaçado a imaginação.
O seu sotaque é puxado, encanta e faz agrado. E o sorriso junto aos olhos, afaga-me a alma. Difícil não  tentar-me sem provar-te por uma unica vez.
Taurino por teimosia e com gratidão, sem demandas eu te peço a mão. E que entregues a mim de coração, a sua humilde satisfação.
E de bom agrado agora  me despeço, como um velho Letrista disperso.
Obrigado querido babão, essa é nossa saudação.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Me vejo em um lugar tão comum, quanto qualquer outro. Este, com formas inimagináveis, consegue aparecer diante a mim apenas como refúgio. Refúgio de recortes, tempos bons e além, muito além de distancias, ele guarda digitais secretas, que só podem rubricar o que de fato é importante.
E quando nos desapercebemos, é dentro dele que estamos, montando e associando corpos, gostos, sabores e prazeres, intensamente. Intrigante  que o mesmo não seja único, mas restringe-se apenas a um ser. E com essas variações, ele se monstra inseguro, perto a dúvidas e a margem de conflitos.
O bom, é saber que nosso porto-seguro, esta a cima e dentro de nós. E os outros lugares, são só apenas detalhes e espelhos bons que nunca substituíram o paraíso que vos emerge. Deter-se, para não enfeitiçar ou abstrair do lugar que te traz paz. Seria a solução?
Cômico, é saber que sempre precisaremos de reflexos, não importa o tão bom sejamos, só precisamos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Vish.

Nas manhãs de sábados quentes,  pego-me folhiando nossas lembranças. Servindo-me de você, revendo nos teus olhos, o meu querer.
Olha, quero te dizer, que se o tempo passar e o frio da manhã nos acolher, bules com café e minhas cobertas talvez irão lhe aquecer.
Veja só, eu nunca esperei me render. Mas veja só, nem com tanto poder há alguém capaz a ti subverter. E agora vontades acabam por me silenciar, para não nos perecer.
Ah amor, tantas vaidades eu limitei, para não o permitir vadiar. 
Ainda bem que o fim de tarde está por cessar e  tuas palavras pararam de me alimentar.
E mesmo que o amargo esteja a enfeitar, agradeço todo os dias, que sua angustia, continue sendo o recordar.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Apenas fui.

Vou deixando os detalhes, uma vida bem sucedida, vou doando me a ti.
Vou deixando a velha orbita sistemática, pois o nosso sentimento monocromático laçou a paixão.
Vou deixando os pensamentos antigos, para um encontro casual com a segunda-feira a espera do seu agarrado. 
Vou deixando as viagens, os planos, as oscilações e métricas, apenas nas nuvens descoordenadas de nossas palpitações.
Vou deixando, o calor de três momentos como última e definitiva decolagem.
Vou deixando, no seu olhar o meu eu, para que não supliques em silêncio, tudo que vivemos.
Vou deixando, fitado em pedaços de papéis, gotas de saudade e pétalas de sol, para relembrarmos a fragrância do nosso dia-a-dia.
E, apenas, entregarei-me junto a brisa que nos aquece, quando estiver forte, sem abandonar, sem regrar ou remediar, aquilo que o vento nos trouxe de melhor até hoje.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Reviveu.

A gente não sabe se o sentimento volta amenos, intenso ou impulsivamente, é difícil crer que venha de grau imediato. Só sei que mexe, move e transborda dentro de um espaço mediano a sanidade.

O gosto parece ser o mesmo, apático, saboroso e interessante como vapor condensado. Agora, só é ter cuidado pra não tropeçar na linha do desespero, pois o apego vem de cara e ele não respeita emoções, justamente te surpreende inesperadamente, com gostinho de decepção.
Por isso é bom ser forte e sempre andar com a muralha na bolsa de utensílios, porque quando você mais precisar, estará com a linha, o crochê e a velhice em mãos, tricotando a querida desilusão.